Uma experiência criativa é, para Winnicott, aquela na qual nos sentimos vivos. Estar vivo é sentir-se real, é quando o sujeito descobre em si o sabor da própria existência. A criatividade também pode ser um antídoto contra o tédio, uma saída para uma vida mecânica e automatizada. É saber que nem sempre estar ajustado ao sistema significa ter boa saúde mental. Criar é saber se desviar dos padrões já pré-estabelecidos. É fazer da sua vida uma criação, um gesto de resistência.
Mas será que todo mundo precisa ser criativo?
A criatividade não é uma obrigação, mas uma expressão da singularidade de estarmos vivos. Nem todos são artistas ou inventores, mas todos pulsamos a vida dentro de nós, a partir do momento em que habitamos o mundo e o experimentamos de diversas formas. Criatividade é a capacidade de se surpreender, de encontrar significado nas pequenas coisas e de não levar uma vida fútil. E muitas coisas podem ser feitas de modo criativo. Não quer dizer que todos seremos Picassos ou Van Goghs, mas que poderemos levar uma vida mais original e menos submissa ao que os outros acreditam que sejamos. Uma vida morta é uma vida sem invenção, sem mistério , onde tudo já está definido e catalogado.
Mas a grande questão é: como viver criativamente num sistema que não promove a criatividade e vive de papéis já pré-estabelecidos? Ninguém é criativo o tempo todo, e a vida também é feita de pequenas trivialidades.
O que importa mesmo é que o sujeito esteja lá, presente em sua criação. Algumas pessoas nasceram em uma atmosfera criativa e, por isso, descobriram em si também a capacidade de se surpreender e de apostar em si mesmas. Cada um de nós tem seu próprio mundo. O que precisamos é ser mais curiosos e menos indiferentes ao inerente mistério da vida.